Cidadania

Para equilibrar o comércio com a UE, a África Oriental deve fazer isso — Quartz Africa

Os estados membros do bloco comercial da África Oriental terão que se sair melhor em várias áreas se quiserem aproveitar ao máximo o forte mercado de 447 milhões da União Européia.

Essa foi a conclusão das discussões sobre um relatório de escopo apresentado em um workshop em 25 de maio em Kigali, Ruanda, pelo Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo (SEI) e pela Comissão de Ciência e Tecnologia da África Oriental.

O relatório constatou que, enquanto o bloco está progredindo, está lutando para criar empregos, controlar a corrupção, se preparar para os efeitos das mudanças climáticas, inovar, desenvolver sua infraestrutura, atrair investimentos estrangeiros diretos e controlar a volatilidade da moeda. Se não funcionar melhor, as empresas locais podem ser afetadas pela redução do comércio com a UE.

Uma longa lista de coisas para fazer

Oito nações compõem a Comunidade da África Oriental (EAC): Quênia, Tanzânia, Uganda, Ruanda, Burundi, República Democrática do Congo, Etiópia e Sudão do Sul. Para a UE exportam principalmente café, flores cortadas, chá, tabaco, peixe e legumes. Da UE importam máquinas e dispositivos mecânicos, equipamentos e peças sobressalentes, veículos e produtos farmacêuticos.

O relatório foi escrito por especialistas em políticas da SEI para informar as partes interessadas regionais sobre as lacunas comerciais relevantes da UE e suas implicações para a África Oriental.

Aqui estão algumas das questões que o EAC terá que resolver, de acordo com o relatório:

Criar trabalhos: O comércio entre os dois blocos deve criar novas cadeias de valor e novos empregos. “A criação de empregos precisa de treinamento contínuo e mais orçamentos de pesquisa e desenvolvimento”, disse King’uru Wahome, vice-diretor de indústrias do Ministério de Industrialização e Comércio do Quênia. Ela também acrescentou que, para negociar melhor com a UE, a África Oriental precisa atrair mais mulheres para a tecnologia.

Perseguir a corrupção: Para alcançar um equilíbrio comercial ideal com a UE, a EAC precisará mostrar mais esforço para processar atores empresariais corruptos no Tribunal de Justiça da África Oriental, ao mesmo tempo em que incorpora as leis promulgadas pelo Conselho Legislativo da África Oriental, disseram os participantes. Embora a África Oriental tenha uma pontuação baixa em várias categorias, sua pontuação em processar a corrupção é “zero”, disse Anderson Kehbila, líder do programa de recursos naturais da SEI, aos participantes do workshop, embora não tenha explicado como isso foi feito.

Proteja os dados da empresa: Grande parte da África está lutando com a questão de como proteger os dados do usuário, principalmente contra países estrangeiros. Assim como a UE tem o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), a África Oriental deve ter uma lei regional de dados para impulsionar o comércio online entre as regiões.

Maior conscientização regulatória: Em geral, os fabricantes e fábricas de processamento da África Oriental, que fabricam produtos para exportação, devem estar mais conscientes e ter maior capacidade de cumprir os regulamentos da UE, caso as relações comerciais sejam fortalecidas.

“As leis comerciais não devem ser feitas isoladamente. Regras de origem, comércio justo, requisitos de emissão de carbono, reavaliações da volatilidade da moeda e estruturas financeiras precisam ser fortalecidos”, disse Caroline Cherop, chefe de comércio da Câmara Nacional de Comércio e Indústria do Quênia (KNCCI), no workshop.

O maior desafio de todos

Um grande desafio, segundo o relatório, será preparar a África Oriental para os efeitos das mudanças climáticas. Isso ocorre em parte porque os efeitos em coisas como precipitação (pdf) devem ser graves, e ainda é necessário um investimento significativo para se preparar. Os países em desenvolvimento em todo o mundo precisarão de cerca de US$ 100 bilhões de novos investimentos por ano nos próximos 40 anos para aumentar a resiliência aos efeitos das mudanças climáticas, enquanto os custos de mitigação devem ficar na faixa de US$ 140 a US$ 175 bilhões por ano até 2030. segundo o Banco Mundial.

A UE também tem seus próprios objetivos de investimento climático a alcançar. O Pacto Ecológico Europeu visa reduzir as emissões de carbono em 55% até 2030 e visa tornar a Europa neutra em carbono até 2050; A UE regula as emissões de seus parceiros comerciais por meio do Mecanismo de Ajuste das Fronteiras de Carbono.

Aqui, todos os problemas identificados acima se juntam.

O diretor do SEI Africa Center, Philip Osano, pediu aos governos da África Oriental que usem ferramentas digitais como o software Trase, projetado para ajudar as empresas a melhorar a sustentabilidade de suas cadeias de suprimentos.

“Isso ajuda a monitorar o progresso em relação às metas de sustentabilidade. Identifica os hotspots, empreendedores e cadeias de suprimentos mais intimamente relacionados aos impactos das emissões de carbono. É mais fácil agir”, disse.

Em geral, a energia renovável está lentamente se consolidando na África Oriental. A burocracia excessiva tem sufocado o investimento em projetos favoráveis ​​ao clima na região, enquanto os subsídios estatais para os combustíveis fósseis mantêm os preços artificialmente baixos, dificultando a competição das energias renováveis.

Paul Muchiri, diretor de jovens da KNCCI, disse que os governos da África Oriental precisam remover essas barreiras e criar um ambiente onde os investimentos em energia renovável façam sentido financeiro. “O setor privado deve desempenhar um papel na promoção dessas reformas, que têm o potencial de liberar bilhões de dólares em oportunidades de investimento”, disse ele.

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